domingo, 7 de agosto de 2011

Fabricar cerveja em casa vira mania entre paulistanos

Não satisfeitos com a possibilidade de beber cervejas de todas as partes do mundo em bares e pubs, os paulistanos arregaçaram as mangas para fazer a própria bebida. Foi dentro da sauna do sogro, em Pinheiros, que a produção do cirurgião Marcelo Cury, 33, começou. "Depois, dominamos também a churrasqueira e o terraço", conta ele, que desde 2008 faz cerveja com dois amigos.

A ideia surgiu depois que Marcelo voltou de uma temporada de estudos nos EUA. "Antes, eu era o cara que tomava chopinho. Quando voltei, queria mais opções, mas começou a ficar difícil pagar R$ 65 por uma garrafa importada. Então, fui aprender a fazer." A produção dá trabalho e leva cinco horas, no mínimo, além de um mês de fermentação. Mas todos os cervejeiros são unânimes em dizer que o esforço, inclusive o financeiro, compensa.
Com um investimento de cerca de R$ 800, é possível montar uma cervejaria artesanal, encomendando itens on-line. Para produzir, gasta-se, em média, R$ 5 (fora os equipamentos) em uma garrafa de 600 ml, mesmo preço de uma cerveja popular no bar. Ingredientes, como lúpulo, malte e fermento, são importados e também estão disponíveis na internet.
Depois de a cerveja ficar pronta, a etapa seguinte é tirar onda exibindo rótulos personalizados e sabores exclusivos. Na festa de um ano da filha, os convidados de Marcelo receberam uma garrafa comemorativa.
Com a fama, os pedidos pela cerveja aumentaram e a sauna acabou ficando pequena. Tanto que eles estão de mudança para o segundo andar do restaurante Casa da Li, na Vila Madalena, zona oeste, onde funciona desde sexta o "brew pub" (bar que produz a própria cerveja) da Corsário, marca criada pelos amigos. Com um novo equipamento profissional, eles produzem seis tipos da bebida: cinco fixas e uma sazonal -a atual é inspirada em uma receita do Egito antigo.
Em expansão, as microcervejarias já representam 5% do mercado, movimentando R$ 2 bilhões.
Em sala de aula
Antes de chegar a essa fase, que envolve venda e requer autorização do governo, o iniciante costuma passar por alguns percalços. O mais comum é deixar que ocorra contaminação no líquido após a fervura. Na cervejaria-escola Sinnatrah, a primeira do gênero na capital, os bioquímicos Alexandre Sigolo, 34, e Rodrigo Louro, 33, dão dicas para o sucesso do cervejeiro de primeira viagem. No pequeno espaço, já se formaram 80 pessoas desde o ano passado. No curso de um dia (R$ 250), os alunos aprendem, entre um "beer break" e outro, a produzir cerveja, desde o cozimento do malte até a fermentação.
O público é bastante heterogêneo e vai da publicitária descolada que quer oferecer a própria cerveja aos clientes a membros dos Arautos do Evangelho, uma dissidência da conservadora TFP (Tradição, Família e Propriedade). A Sinnatrah também funciona como "incubadora" e aluga equipamentos com supervisão para quem não quer se arriscar na cozinha.
Pioneiro
O primeiro a oferecer esse tipo de curso na cidade foi o bar de Jaime Pereira Filho, 59. Dono do Pier 1327, na Vila Mariana, na zona sul, ele calcula ter ajudado 3.000 pessoas a realizar o sonho da cerveja própria, ao longo de três anos, ensinando a arte nos fundos do bar a R$ 800 por grupo.
Um de seus pupilos é o engenheiro Caio Oliveira, 28, que produz cerveja com um amigo e compartilha receitas e rótulos em seu blog. Sua última criação, a Porter dos Desesperados, brinca com o tipo de cerveja porter, chamada assim por ser a favorita dos trabalhadores dos portos ingleses, e com o quadro "nonsense" do extinto programa de Sérgio Mallandro. "Queremos mudar a percepção de que a cerveja artesanal é algo requintado, para um público selecionado."
Fonte: folha.com

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